11 de novembro de 2009

Robert Kurz - Um texto (quarta parte)

Para os produtores de cultura, da arte o do pensamento reflexivo não há mais motivo para servir de legitimação a um capitalismo autoritário, que remunera mal, e sair à busca de elogios no deserto pós-moderno do mercado. Se possuem algum vestígio de amor-próprio, eles acabarão por encerrar-se em si mesmos e, pelo menos em seu íntimo, confessar sua animosidade irreconciliável em relação aos críticos do mercado. Essa postura não deve ser passiva, mas ativa. Os produtores culturais talvez devessem associar-se em grupos, sindicatos, guildas, clubes e ligas anti-mercado, preocupados não em vender, mas salvar os recursos culturais da barbárie do mercado. Tal postura será diversa do conservadorismo cultural – sempre acorde com o poder -, sobretudo pelo fato de ligar-se aos humilhados e ofendidos e dar expressão cultural aos sofrimentos sociais, ao invés da harmonizar-se com os joviais oportunistas pós-modernos.

O FANTASMA DA ARTE
A separação entre vida e arte é um velho trauma da modernidade. Todos os artistas que querem dar expressão a uma verdade e que se consomem em suas criações sempre sofreram com tal separação. Pouco importa se a arte, em suas várias manifestações, revela a beleza bem-proporcionada ou, ao inverso, a estética do feio, se faz crítica social ou busca redescobrir a riqueza das formas naturais, se adota uma orientação realista ou fantástica: ela sempre permanece separada do cotidiano, da realidade social, como que por uma parede de vidro intransponível.
As criações artísticas ou são ignoradas ou tornam-se mundialmente famosas como objetos de museu, já mortos antes mesmo de nascer. O artista assemelha-se, desse modo, a uma figura da tragédia antiga: tal como a água e as frutas esquivam-se ao sedento Tântalo, assim também a vida se esquiva a ele; tal como o rei Midas, que morreu de fome porque todos os objetos em que tocava transformavam-se em ouro, assim também o artista, como ser social, morrerá de fome, pois todos os objetos em que toca transformam-se em puros objetos de exposição; e tal como Sísifo, ele sempre empurra sua rocha inutilmente -sua obra permanece sem mediação com o mundo.
Todas as tentativas da arte para romper seu gueto de vidro foram frustradas. Esculturas expostas em fábricas e quadros pendurados nas paredes de escritórios permaneceram corpos estranhos; preleções literárias em igrejas ou escolas nunca superaram o caráter de eventos obrigatórios. Quando os dadaístas, por desespero, recorreram aos meios da provocação e transpuseram mictórios ou canos enferrujados para os átrios sagrados da arte, a fim de zombar da burguesia, essa oferta foi tomada com profunda seriedade e catalogada tal como as esculturas de Michelangelo ou os quadros de Picasso.
Eis a definição tautológica: arte é tudo aquilo que a sociedade percebe a priori num espaço separado, numa área reservada chamada "arte" e que, por isso, nessa sua impregnada objetividade artística, pode ser colecionada com independência de todo conteúdo, a exemplo de selos ou coleópteros. Pouco importa o que a própria arte quer e como ela o representa, seus efeitos são desde sempre entorpecentes e inofensivos.
Só se "permite" que a arte faça seu retorno à realidade social se desistir de si própria e capitular incondicionalmente; como design de mercadorias ou como indústria cultural para uso doméstico do homem capitalista, ela não pode mais ser arte, pois deixa de representar uma reflexão estética da sociedade e da relação humana com o mundo. Porque design e indústria cultural são por si só tão pouco reflexivos quanto a economia empresarial: a forma estética da mercadoria não se relaciona mais com o conjunto da natureza e da sociedade, mas basta a si mesma.

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9 de novembro de 2009

Robert Kurz - Um texto (terceira parte)

Para a maioria esmagadora das artes, ciências e atividades culturais de todo tipo, porém, a questão do humilhante e arbitrário investimento privado não é sequer aventada. Hoje elas se encontram, numa proporção inaudita, expostas diretamente, sem filtro algum, aos mecanismos do mercado. Institutos científicos e associações esportivas têm que recorrer à Bolsa, universidades e teatros têm de render lucros, literatura e filosofia têm de resistir aos critérios da produção de massas. Nos grandes veículos de distribuição, só logra êxito o que se presta como oferta ao lazer dos escravos do mercado. Daí a distorção grotesca na gratificação das produções culturais: no futebol e no tênis, os jogadores recebem milhões, ao passo que os produtores de crítica, reflexão, representação e interpretação do mundo são rebaixados ao nível de limpadores de sanitários. Com a racionalização capitalista da mídia, são transposto para a esfera cultural os salários de fome, o “outsourcing” e a escravidão empresarial.
O resultado só pode ser a destruição do conteúdo qualitativo da cultura. Miseravelmente pagos, socialmente degradados e difamados, os trabalhadores da cultura e da mídia produzem, é óbvio, bens igualmente miseráveis; isso vale tanto para esse campo quanto para todos os outros. E com isso a redução brutal ao horizonte de tempo abreviado e à distribuição de massa do mercado elimina tudo que pretende ser mais do que um produto descartável. Nas livrarias, em breve, só encontraremos livros pornográficos, esotéricos e de receitas para a classe média depravada. Mas também nas ciências a lógica do mercado deixa um rastro de destruição. Como por essência, não podem assumir a forma mercantil, as ciências sociais e do espírito são arrancadas da empresa acadêmica como ervas daninhas. Sobretudo os institutos históricos padecem com o corte nas suas dotações, pois o mercado não precisa mais de passado; a ciência natural substitui-se em definitivo à filosofia e à teoria social. Na ciência natural, contudo, a pesquisa “sem objetivo” é depreciada e estrangulada em proveito da pesquisa de encomenda, mais rentável ao capital.
Essas tendências, assim como já haviam degradado a subjetividade religiosa ou política, levam necessariamente ao colapso da subjetividade cultural na sociedade burguesa, sem substituí-la por algo novo. Hoje, nem mesmo um fim conservador “é” conservador, mas somente alguém que compra o conservadorismo como se fosse molho de tomate ou cadarços. Mesmo o atual papa, por ortodoxo que seja, revela-se um especialista de marketing para eventos religiosos; em breve as religiões e as seitas lançarão títulos nas Bolsas e se pautarão pelos princípios do “shareholder value”. Os artistas e cientistas submetem-se ao mesmo aviltamento de sua personalidade. Quando pensam e produzem, com pressurosa obediência, segundo as categorias a priori da venalidade, já perderam o pé de seu objeto e podem somente ratificar a sua tarefa, como o célebre pintor Baselitz, ao voltar seus quadros contra a parede, num lampejo de lucidez. O “economismo” não é uma idéia equivocada e unilateral de marxistas incorrigíveis, mas a tendência real da ordem social reinante ao totalitarismo econômico, que adquire na crise atual o seu maior e derradeiro surto. Mas o capitalismo não pode firmar-se sobre as suas próprias bases. Do mesmo modo que a indústria farmacêutica perderá sua grande fonte de saber e de material se as florestas tropicais forem devastadas, assim também a indústria da cultura se esgotará quando não puder mais sangrar as subculturas, uma vez que a atividade não-comercial das massas acha-se definitivamente morta. Uma sociedade que consta apenas de vendedores frutiqueiros e insistentes e que já é incapaz de refletir sobre si mesma tornou-se insustentável em termos sociais e econômicos.

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Robert Kurz - Um texto (segunda parte)

Repetiu-se com isso o que Marx dissera sobre as mudanças da produção material, pois a cultura também passou para a transição do estágio “formal” para o estágio “real” de submissão ao capital: se num primeiro instante, os bens culturais eram compreendidos apenas superficialmente e “aprés coup” como objetos de compra e venda pela lógica do dinheiro, no decorrer do século 20 a sua própria produção passou a depender cada vez mais, de forma a priori, de critérios capitalistas. O capital não queria mais ser apenas o agente de circulação de bens culturais, mas dominar todo o processo de reprodução. Arte e cultura de massas, ciência e esporte, religião e erotismo cresceram de produção como carros, geladeiras ou sabões em pó. Com isso, os produtores culturais também perderam sua “autonomia relativa”. A produção de canções e romances, de descobertas cientificas e reflexões teóricas, de filmes, quadros e sinfonias, de eventos esportivos e espirituais só podia ocorrer como produção de capital (mais-valia). Essa foi a terceira degradação da cultura.
Contudo, na época de prosperidade após a Segunda Guerra Mundial, formou-se ainda um pára-choques social que, em muitos países, protegeu parte da cultura contra o impacto devastador da economia. Falo do mecanismo da distribuição keynesiana. O “déficit spending” alimentava não apenas a produção de armamentos militares e o Estado Social, mas também certas esferas da cultura. Não há dúvida que a subvenção estatal impôs limites estritos à autonomia da cultura. Mas o controle do Estado era aberto à discussão pública, e não tirânico: em caso de um conflito, pode-se negociar com funcionários e políticos, mas não com as “leis do mercado”. Por meio da “cultura do keynesianismo” uma parte da produção cultural dependeu apenas indiretamente da lógica do dinheiro. Enquanto emissoras de rádio e televisão, universidades e galerias, projetos artísticos e teóricos eram subsidiados ou dirigidos pelo Estado, não era preciso submeter-se diretamente aos critérios empresariais; havia um certo campo de ação para a reflexão crítica, os experimentos e as “artes improdutivas” minoritárias, sem que os ameaçasse as sanções materiais.
Essa situação modificou-se essencialmente a partir do início da nova crise mundial e com a respectiva campanha neoliberal. O fim do socialismo e do keynesianismo abalou fortemente a cultura, pois ela se viu privada de seus meios. Os Estados não se desarmaram militarmente, mas culturalmente. Numa pequena parcela do espectro cultural, os investimentos privados tomaram o lugar dos incentivos estatais. Não há mais direitos sociais e civis, mas apenas o arbítrio caritativo dos ganhadores de mercado. Os produtores culturais vêem-se expostos aos humores pessoais dos rajás do capital, para cuja esposas eles devem servir de hobby e passatempo. Como os bobos da corte e os serviços da Idade Média, eles são obrigados a portar os emblemas de seus senhores, a fim de serem úteis ao marketing. Essa é a quarta degradação da cultura.

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8 de novembro de 2009

Robert Kurz - Um texto

A CULTURA DEGRADADA

Hoje, para a maioria, uma crítica fundamental da economia moderna parece tão insensata quanto a tentativa de passar pela parede, e não pela porta. Essa própria economia, contemplada à distância, revela todos os traços da loucura, considerados porém como normais, já que os critérios da máquina capitalista estão universalmente internalizados. Quando os loucos estão em maioria, a loucura é dever do cidadão. Sob tal pressão, a crítica social retira-se do campo da economia e sai em busca de evasivas. A esquerda, em especial, não vê com bons olhos quando se põe o dedo na ferida das relações econômicas reinantes: é penoso relembrar a própria capitulação incondicional. Desarmada teoricamente, a esquerda prefere denunciar toda crítica séria do mercado, do dinheiro, do fetichismo da mercadoria como economismo antiquado e infrutífero, há muito ultrapassado.

E com que se ocupa uma crítica social já indigna desse nome? Antes, o grande refúgio era a política. Pretendia-se que todas as questões do sistema produtor de mercadorias (e portanto também a economia) fossem reguladas pelo “discurso racional” dos membros sociais, no interior das instituições políticas. A política há tempos foi degradada a uma esfera secundária da economia totalitária. Hoje, o objetivo em si mesmo do capitalismo devorou a suposta “autonomia relativa” da política. Por isso, na pós-modernidade, a crítica social refugia-se na cultura, abandonando a política, assim como antes buscara refúgio na política, abandonando a economia. A esquerda pós-moderna tornou-se, sob todos os aspectos “culturalismo” e, imagina-se, com toda seriedade, capaz de atuar “subversivamente” no âmbito da arte, da cultura de massas, da mídia e da teoria da comunicação, enquanto deixa praticamente de lado a economia capitalista e a menciona somente de passagem, com evidente enfado.

Mas sejam quais forem as esferas sociais em que se refugia uma esquerda de pouca voz, a economia capitalista está sempre presente e lhe acena com um sorriso irônico. É verdade que essa “economia divorciou-se da sociedade”, como escreve a crítica social francesa Vivianne Forrester em seu livro sobre o “terror da economia”. Mas o capitalismo só esqueceu a sociedade no sentido social, sem contudo deixar que lhe escapasse das garras. Ao contrário, a economia totalitária vela zelosamente para que nada aconteça sob o sol que não sirva diretamente ao objetivo tautológico da maximização dos lucros. E isso vale também para a cultura. A economia moderna surgiu à medida que a esfera capitalista da produção industrial se desvinculou das demais esferas da vida. A cultura, no sentido amplo, parecia uma atividade “supra-econômica”, que, como simples subproduto da vida foi banida para o campo do chamado “tempo livre”. Essa foi a primeira degradação da cultura na modernidade: ela se transformou num assunto pouco sério, num simples “momento de descanso”. Mas tão logo o capitalismo dominou integralmente a reprodução material, seu apetite insaciável estendeu-se também às configurações imateriais da vida e, na medida do possível, começou a recolher peça por peça as esferas cindidas e submetê-las à sua peculiar racionalidade empresarial. Essa foi a segunda degradação da cultura: ela própria foi industrializada.


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6 de novembro de 2009

Anticristo - Lars Von Trier


O Cinema Falado do Museu Victor Meirelles exibe nesta quinta-feira, dia 12 de novembro, às 18h30min, um dos filmes mais polêmicos dos últimos tempos, cercado de controvérsias e manifestações de amor e ódio, com todas as suas variações de intensidades.

Trata-se do Anticristo, do diretor dinamarquês Lars Von Trier, lançado em maio deste ano no Festival de Cinema de Cannes, na França, e que figurou em todos os noticiários recentes pelas reações contundentes, tanto da parte dos repórteres que cobriam o evento, como dos críticos e também do próprio diretor.

A mediação dos debates que se darão após o término da sessão será da professora Fátima Lima. Graduada em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, com especialização em Teatro no Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina, Fátima Lima é mestre em Educação e Cultura pela Faculdade de Educação da UDESC e atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História da UFSC. É professora titular da UDESC, no Departamento de Artes Cênicas, e da Universidade do Sul de Santa Catarina, na disciplina Cinema e Vídeo.

Pela imprensa ficamos sabendo do diálogo insólito e áspero entre um repórter e o diretor Lars Von Trier, durante a sessão de entrevistas no lançamento do Anticristo, quando o primeiro perguntou as razões que levariam alguém a fazer um filme como aquele. O diretor respondeu que não tinha como se justificar. “Faço filmes. Trabalho para mim mesmo. Não devo satisfação a ninguém. Não tive escolha (ao fazer o filme). Foi a mão de Deus, eu temo. E eu sou o maior diretor de cinema do mundo. Não sei se Deus é o melhor Deus do mundo”, teria dito o dinamarquês.

O que cerca de paradoxos esta produção é que, para muitos analistas, Anticristo é visto como um filme de terror, uma classificação que não dá conta de sua complexidade. Na verdade, diz o crítico Maurício Stycer, Anticristo haverá de surpreender mesmo aquele que viu outros filmes do diretor, como Dançando no Escuro (com Bjork), Os Idiotas ou Dogville, todos ousados e originais. É preciso alertar o espectador que há algumas cenas muito violentas, capazes de agredir os espíritos.

Anticristo aborda temas altamente polêmicos. Religião, crendices e cultura se confundem numa salada tão envolvente quanto assustadora ao longo do filme. O americano Willem Dafoe e a francesa Charlotte Gainsbourg, premiada em Cannes como melhor atriz, são os protagonistas únicos da história. Ela é uma historiadora; ele, um terapeuta. Incapaz de superar seus traumas, ela afunda-se na cama, enquanto ele resolve assumir a responsabilidade pela terapia que vai tirá-la da depressão.

Cinema Falado do Museu Victor Meirelles

Filme: Anticristo – Dinamarca/Alemanha – 2009 – 104 min

Direção: Lars Von Trier

Mediação de Fátima Lima

Dia 12 de novembro, às 18h30min

Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles

Rua Victor Meirelles, 59 – Centro – Florianópolis

Tel. 48 3222-0692

Entrada Gratuita

4 de novembro de 2009

José Maria Dias da Cruz

José Maria está em Florianópolis ministrando oficina no Museu Victor Meirelles e aqui estão três vídeos do youtube onde podemos apreciar um pouco de sua obra.

Exposição Galeria A (parte 2)

Exposição Galeria A (parte 1)

3 de novembro de 2009

Paisagem Especulada





Domingo foi dia de um protesto artístico contra a especulação imobiliária na Ilha de Santa Catarina, especialmente no Pântano do Sul, onde duas grandes empreiteiras querem construir um mega condomínio em cima de área de restinga, colocando em risco todo o ecossistema da região.
A atividade foi escrever com letras enormes na areia "PAISAGEM ESPECULADA", com a participação de moradores e outros interessados em garantir um futuro melhor para nossos filhos.
Após a 'escrita' tudo foi fotografado e documentado via aérea.



Paisagem Especulada - Filmagem Aérea from Egil Skal on Vimeo.

30 de outubro de 2009

Um Aplauso para Hitchcock

O Projeto Cinema Falado do Museu Victor Meirelles exibe nesta quinta-feira, dia 5 de novembro, às 18h30min, o filme Os 39 Degraus, do mestre do suspense, o diretor inglês Alfred Hitchcock.

Produzido em 1935, seu roteiro é baseado na obra homônima de John Buchan, escrita em 1915, e a fita foi eleita a terceira melhor obra cinematográfica britânica de todos os tempos, pelo Instituto Britânico de Cinema.

Outro fato marcante é que, desde maio de 2006, quando o projeto Cinema Falado se iniciou, o único filme que ganhou aplausos da platéia ao final da sessão foi justamente um outro trabalho de Hitchcock, o Janela Indiscreta, exibido em 7 de agosto do ano passado.

O mediador convidado é o professor Henrique Oliveira. Mestre e doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, atualmente Henrique é professor efetivo da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Imagem e Som - LAPIS. Desenvolve ainda pesquisas relacionadas ao conteúdo e formato de audiovisuais de apoio ao ensino da História.

Richard Hannay está de férias em Londres. Na platéia do teatro ele ouve o som de um disparo de arma e no tumulto que se segue conhece uma mulher misteriosa, morena e enigmática, que lhe fala sobre o caso de um homem que está sendo perseguido por causa do seu envolvimento em uma trama de espionagem. Ela lhe garante que era o alvo do disparo, o que faz com que Richard ofereça a sua casa como abrigo. A mulher diz conhecer um segredo internacional, algo relacionado com “os 39 degraus”. Contudo, antes de passar mais informações, é morta dentro de seu apartamento. Richard, então, mesmo sabendo dos riscos que corre, decide tentar resolver o mistério.

Considerado um importante exemplar da fase inglesa do diretor, este é o primeiro filme em que Hitchcock usa a fuga de um inocente como um elemento da trama. Como sempre o diretor consegue manter o interesse do espectador até a cena final, quando a revelação mais uma vez se dá de forma relativamente inesperada. Por tudo isso, e graças ao pioneirismo de sua execução, Os 39 Degraus viria a servir ao mestre do suspense, no futuro, como fonte inesgotável de inspiração.

Cinema Falado do Museu Victor Meirelles

Filme: Os 39 Degraus ING 1935 86 min

Direção: Alfred Hitchcock

Mediação de Henrique Oliveira

Dia 5 de novembro, às 18h30min

Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles

Rua Victor Meirelles, 59 Centro Florianópolis

Tel. 48 3222-0692

Entrada Gratuita

26 de outubro de 2009

Kerouac 'Off the Road'


Jack Kerouac partiu há 40 anos (21 de Outubro) e deixou junto com Burroughs e Ginsberg, a semente da Contracultura com uma nova literatura que abalou as bases conservadoras norte americanas.

" Pessoas mesmo são aquelas que são loucos, os que estão loucos pra viver, para falar,
loucos para serem salvos, que querem tudo agora ao mesmo tempo, que nunca bocejam
nem falam coisas comuns mas queimam, queimam, queimam como fogos de artifício
explodindo como constelações."

(On the Road)

23 de outubro de 2009

A Margem da Linha

Vi hoje e recomendo a todos os artistas e não artistas interessados na tentativa de compreensão ou incompreensão do universo das artes visuais contemporâneo.

A MARGEM DA LINHA


O projeto Cinema Falado terá uma sessão especial nesta sexta-feira, dia 23 de outubro, às 18h30min, quando fará a exibição de lançamento do filme A Margem da Linha. Trata-se de um documentário de longa metragem que aborda o universo das artes visuais e que será lançado simultaneamente em oito capitais brasileiras. Aqui em Florianópolis, o evento acontece dentro da programação do Cinema Falado do Museu Victor Meirelles. Os debates, que se seguem ao término do filme, serão mediados justamente por sua diretora, Gisella Callas.

Três gerações de artistas são representadas no documentário por Regina Silveira, Sérgio Sister e José Spaniol, que dialogam com os paradigmas da arte contemporânea e sua relação com o espaço. É através da percepção do observador e de seu deslocamento para dentro da obra que a diretora Gisella Callas organizou o conteúdo, do objetivo ao subjetivo na arte.

A estrutura escolhida para acomodar as questões propostas pelo documentário serviu como fio condutor do filme. Algumas dessas questões são o olhar, a ideia, o atelier, a inspiração e a intuição, o desenho, a forma e a palavra, entre outras, chegando à pergunta fatal que questiona o próprio sentido da arte.

Segundo a diretora, “as respostas foram distribuídas pelo documentário, seguindo seu conteúdo e todos os sentidos e significados que surgiram neste diálogo, construindo, assim, uma ampla rede de pensamentos que se complementam ou contrapõem, abrindo várias possibilidades de percepção e entendimento".

Além dos três artistas, vários críticos, curadores e profissionais de áreas não diretamente ligadas à arte, como física e matemática, expõem suas percepções e convidam o espectador a refletir sobre tais conceitos.

São eles, Agnaldo Faria, historiador, curador e crítico de arte; Moacir dos Anjos, curador; Alberto Tassinari, crítico; David Barro, crítico e curador; Adolfo Montejo, crítico de arte; Marco Gianotti, artista plástico; Leda Catunda, artista plástica; Célia Euvaldo, artista plástica; Ana Paula dos Santos Montes, responsável pelo acervo do MAM; Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo; Prof. Dr. Ton Marar, matemático; Haron Cohen, arquiteto, museógrafo e curador; Lama Padma Samten, físico quântico; Lorenzo Mammí, crítico de arte; Miguel Chaia, colecionador; Isis Baldini, restauradora; Nicole Mouracade, artista plástica e Fabiano Marques, artista plástico.

SILVEIRA, SISTER E SPANIOL

Regina Silveira é uma artista que faz do conceito o corpo de sua investigação e da sua obra. A ideia é sua matéria prima. E traduzi-la visualmente é seu projeto como artista. Nesse sentido é que ela se põe a especular sobre a maneira como cada coisa, quando tocada pela luz, tem seu volume trocado por um plano de negro, ou, similarmente, como cada coisa, quando contemplada por um olhar atento, pode ser transposta para um plano que, tanto pode ser de papel, ou monumentalmente amplificado para o espaço de um museu ou para a parede cega de um prédio.

Sergio Sister é justamente considerado como um dos protagonistas do debate que a pintura vem tendo no nosso país. Desde muito tempo filiado à abstração, sua pintura ficou conhecida pela sutileza, pelo modo como sempre obrigou o olho do espectador a se desacelerar, com o propósito de fazê-lo perceber, por intermédio da variação de suas pinceladas, a correspondente variação de luz na superfície da tela.

Com pós-graduação pela Academia de Dusseldorf na passagem dos anos 80 para os 90, José Spaniol é um dos artistas cuja solidez de formação permite que trafegue pelas mais variadas expressões artísticas, estabelecendo relações, subvertendo sentidos, criando instigantes problemas aos olhos de quem trava contato com seus trabalhos. Desde o começo, as pinturas de José Spaniol desejavam o espaço, pareciam ganhar peso e corpo, terminando por se projetarem para fora da parede. Passar dessas pinturas para esculturas, objetos e instalações foi uma questão de tempo.

Gisella Callas trabalhou como fotógrafa e retratista, para a revista Vogue. Em 1994 fundou a Cinerama Filmes, que produziu e lançou, em 1995, o seu primeiro curta metragem, “The Main Dish”, produzido em Nova Iorque e comprado pelo Canal Bravo Brasil, atual Film & Arts.

Em 2000 assina a produção, direção e roteiro do curta-metragem “Do Amor”, produzido em São Paulo e lançado em outubro de 2001, em 36 salas de cinema do circuito comercial de São Paulo. “Do Amor” integrou a seleção oficial de festivais nacionais e internacionais, como o de Gramado, Karlovy Vary, Algarve, San Diego, Recife, Foley Film Festival, e também participou da Abertura da Mostra do Audiovisual Paulista, em 2001.

Além da direção, Gisella Callas assina também a produção e o roteiro de A Margem da Linha.


20 de outubro de 2009

In Praesenti #2

Fotografias+digitalização+tinta acrílica sobre tela - 120 x 70 -
E assim sai a segunda tela do forno usando esta técnica.

15 de outubro de 2009

George Braque


George Braque
Textos de Braque, enviado pelo Professor José Maria Dias da Cruz para passarmos a semana:


O DIA E A NOITE



Cadernos de George Braque – 1917 – 1952

Aos leitores estes amargores de uma estrada já longa.

A natureza não oferece o gosto da perfeição, não a concebemos nem melhor nem pior.

Jamais teremos repouso: o presente é perpétuo.

Pensar e raciocinar não são o mesmo.

Não é o bastante fazer ver o que se pinta, é preciso ainda fazer tocar.

A emoção não se acrescenta nem se imita: ela é o germe, a obra é a eclosão.

Em arte não há efeito sem distorção da verdade.

Os que vêm atrás: os puros, os intactos, os cegos, os eunucos.

Não faço como quero, faço como posso.

A personalidade do artista não é feita da soma de seus tiques.

Não se deve pedir ao artista mais do que ele pode dar, nem ao crítico mais do que não pode ver.

Contente-se em fazer refletir, não busque convencer.

A Arte é feita para perturbar, a Ciência para assegurar.

Graças a Deus, diz um. O outro diz: Deus está conosco. E o terceiro: Deus é meu direito.

O pintor pensa por formas e cores, o objeto é a poética.

Não se deve imitar o que se quer criar.

Em arte somente uma coisa tem valor: o que não se pode explicar.

Se o pintor não despreza a pintura é porque ele teme fazer uma tela que o supere em valor.

O artista não é incompreendido, ele e menosprezado. Nós o exploramos sem saber quem ele é.

Os que vão à frente dão as costas aos que vão atrás. É tudo o que estes merecem.

Amo a regra que corrige a emoção. Amo a emoção que corrige a regra.

A ciência não dispensa a fraude: para resolver um problema basta tê-lo colocado bem.

A Arte sobrevoa, a Ciência anda apoiada.

É a precariedade da obra que põe o artista em posição heróica.

Quando se faz apelo ao talento é porque faltou ardor.

O pintor não tenta reconstituir uma história, mas constituir um fato pictural. Há arte do povo e a arte para o povo, esta última inventada pelos intelectuais. Não penso que Beethoven nem Bach, inspirando-se no popular, tenham sonhado em estabelecer uma hierarquia.

Incapaz de poder adaptar um vocabulário ultrapassado, o crítico condena.

Tenho a preocupação de me colocar em uníssono com a natureza bem mais que imitá-la.

Descobrir uma coisa é colocá-la ao vivo.

O clima: é preciso chegar a uma certa temperatura que torne as coisas maleáveis.

O estilo pré-clássico é um estilo de ruptura, o estilo clássico é um estilo de continuação. O Monte de Saint Michel e Versailles, Villon e Mme. de Sevigné.

Cada época limita suas aspirações. Daí nasce, com a cumplicidade , a ilusão do progresso.

O comum é verdadeiro, o semelhante é falso: Trouilebert assemelha-se a Corot, mas não têm nada em comum

Escrever não é descrever, pintar não é representar.

A verossimilhança não é senão ilusão de ótica.

A toda aquisição corresponde uma perda equivalente, é a lei das compensações.

A limitação dos meios engendra formas novas, convida à criação, faz o estilo.

O progresso em arte não consiste em ampliar seus limites, mas em melhor conhecê-los.

Eu não sou um pintor revolucionário, não procuro a exaltação: o fervor me basta.

Definir uma coisa é substituí-la pala definição.

Construir é reunir elementos homogêneos; fundar é unir elementos heterogêneos.

Impregnação. Obsessão. Alucinação.

No fim das contas, prefiro os que me exploram aos que me seguem: aqueles têm alguma coisa para me ensinar.

Todo estado é sempre complementar ao que o precedeu.

A sobrevivência não apaga a lembrança.

Podemos desviar um rio de seu curso, mas não fazê-lo voltar à sua nascente.

As idéias como as roupas se usam e se deformam com o uso.

A ação é uma seqüência de atos desesperados que permite manter a esperança.

Para proteger a ilusão, preservamos a palavra: os homens hoje estão convencidos que eles voam.

O conformismo começa com a definição.

Por não se poder ter sempre o chapéu na mão inventou-se o cabide. Descobri a pintura para pendurar num prego minhas idéias, isto permite mudá-las e evitar a idéia fixa.

Ter a mente livre: o conceito obnubila. Foi somente após profundas meditações que o homem bebeu o vazio de sua mão. (Da mão ao copo, passando pela concha.)

Aqui é bem mais uma metamorfose do que uma metáfora.

A carruagem foi sobrepujada por uma cabeça de cavalo.

O vaso dá a forma ao vazio, e a música ao silêncio.

É um equívoco traçar um contorno para o inconsciente e situá-lo nos confins da razão.

O arado em repouso enferruja e perde seu sentido usual.

Ter a mente livre: estar presente.

Alguns morriam de sede entre uma garrafa d’água e uma xícara de café.

Minha tese procede? É você que a sustenta.

A verdade existe. Inventa-se apenas a mentira.

É preciso escolher; uma coisa não pode ser ao mesmo tempo verdadeira e verossímil.

Com o Renascimento, a idealidade substitui a espiritualidade.

O futuro é a projeção do passado condenada pelo presente.

Jamais pude discernir um princípio de um fim.

É o acaso que nos revela a existência.

O mistério explode com a claridade, o misterioso se confunde com a obscuridade.

É preciso ter sempre duas idéias, uma para destruir a outra.

Defender uma idéia é tomar uma atitude.

O pessimista não protege suas idéias, ele as expõe.

Ele vive mudando de idéias, ele é como eu, sabe onde tem o nariz.

Ideologias e construções: uma gota d’água sobre esses pães de açúcar e tudo se dissolve.

Os que se apoiam sobre o passado para profetizar fingem ignorar que o passado não é senão uma hipótese.

O pintor conhece as coisas de vista, o escritor que as conhece de nome se beneficia do preconceito favorável. Por isso a crítica é fácil.

Ciência é poder adquirido pela repetição.

Um procura o que pode favorecer suas idéias, o outro o que pode destruí-las.

A verdade se protege a si mesma: os antagonistas se cruzam em torno dela com simetria sem atingi-la.

Não concluamos: o presente, o acaso vai nos liberar.

O vocabulário é o testemunho seguro de uma época.

Não é o objetivo que interessa, mas os meios para atingi-lo.

Erudição, saber sem rigor.

Sua desculpa? Eles querem ter razão sobre os que erraram.

A esperança contra o ideal. A constância contra o hábito. A fé contra as convicções.

Uma utopia é um mito cujas conseqüências se prevêem. Enganamo-nos.

As democracias substituem o fausto pelo luxo.

Quanto mais o socialismo for integral, mais a guerra será total.

O idealismo é uma forma convencional de esperança.

Investigar o comum que não é o semelhante. É assim que o poeta pode dizer: “uma andorinha apunhala o céu” e faz de uma andorinha um punhal.

Quando alguém imagina coisas, afasta-se da verdade. Se ele tem apenas uma imagem é idéia fixa. Encerramento.

A magia não é menos perigosa para aquele que a exerce do que para aquele que a experimenta.

O sangue, o ferro afiado do arado.

O fatal ameaça as idéias, o fortuito as derrota.

O verdadeiro materialista é o crente.

A espiritualidade contra e idealidade. O perpétuo contra o eterno.

Alguns, como o naturalista, empalham a natureza acreditando torná-la imortal.

A magia é o conjunto dos meios que suscita a credulidade.

Uma natureza morta deixa de ser uma natureza morta quando não está mais ao alcance da mão.

O espaço visual separa os objetos uns dos outros. O espaço total nos separa dos objetos. O turista olha a paisagem. O artilheiro alcança o alvo (a trajetória é o prolongamento do braço).

Unidades de medida total: o pé, o cotovelo, o polegar.

A forma e a cor não se confundem, há simultaneidade.

O quadro está terminado quando apagou a idéia.

A idéia é o berço do quadro.

O sujeito. Um limão ao lado de uma laranja deixa de ser um limão e a laranja, uma laranja, para se tornarem frutas. Os matemáticos seguem esta lei, nós também.

Poucas pessoas podem se dizer: Estou? Elas se procuram no passado e se vêem no futuro.

Lembrança de 1914: Joffre não tinha senão a preocupação de refazer os quadros das batalhas de Vernet.

O que não nos tomam nos sobra, é o melhor de nós mesmos.

As fronteiras são os limites da resistência. O lago pede às suas margens para contê-lo.

O raciocínio é uma via para o espírito e um tumulto para a alma.

A liberdade se toma mas não se dá. A Liberdade para o comum é o livre exercício dos hábitos, para nós, é transpor o permitido.

A liberdade não é acessível a todo mundo, para muitos ela se coloca entre a defesa e a permissão.

Jamais aderir.

Para aqueles que tem o culto de si mesmos, as convicções substituem a fé.

Em duas coisas que julgamos semelhantes, há sempre um sósia.

A razão é razoável.

O eco responde ao eco. Tudo se repercute.

O perpétuo e seu ruído de fonte.

Com a idade, a arte e a vida se tornam uma coisa só.

Eu não procuro a definição. Eu tendo para e infinição.

É o imprevisível que cria o acontecimento.

Uma coisa não pode estar ao mesmo tempo em dois lugares. Não podemos tê-la na cabeça e sobre os olhos.

O militante é um homem mascarado.

Para mim, o por em obra supera os resultados previstos.

A cultura engendra a monstruosidade. É preciso se contentar em descobrir, mas evitar explicar.

O homem marcha diante de si como a água corre.

No presente, nada se opõe, tudo se conjuga. Força e resistência são a mesma coisa.

Eu fujo de meu semelhante. Em todo semelhante há um sósia.

Em toda reação há uma parte de arrependimento.

Somente aquele que sabe o que quer se engana.

Eu não protejo minhas idéias, eu as exponho.

Estou sujeito a sentimentos que ultrapassam a predileção.

Há obras que fazem pensar no artista, outras no homem. Ouvi muitas vezes falar do talento de Manet, jamais do de Cézanne

A assinatura do ancinho.

Cézanne fundou, ele não construiu: a construção supõe um preenchimento.

No início, a ferramenta era prolongamento do braço; com o maquinismo, o braço tornou-se o prolongamento da ferramenta.

A noite, a poeira, o sono.

O conhecimento do passado; a revelação do presente.

O espaço visual. O espaço tátil. O espaço manual.

As provas exaurem a verdade.

Na procura do fatal, descobrimo-nos.

É preciso distinguir entre a vontade e a constância. O alcoolismo não é um exemplo de vontade.

O fatalismo não é, como cremos, um estado passivo.

Destruir toda idéia para chegar ao fatal.

Partir do mais baixo para ter chance de se elevar.

O caminho se faz dia a dia.

Tambor, instrumento de meditação.

Quem escuta o tambor compreende o silêncio.

Desejo o amor como desejo o sono.

A marcha para a estrela: os que vão à frente levam o cajado, os que vêm atrás levam um chicote. Pelos lados, os horríveis soldados.

Contrariemos as vocações.

Eles se obstinam num ponto, ignoram a deriva.

Não tenho nada a deformar, parto do informe e formo.

A esperança nasceu do medo do amanhã.

A utopia é um mito do qual se pode prever as conseqüências.

A verdade não tem contrário.

O desesperante eterno.

A força suprime a justiça e a injustiça.

A prece começa no contanto que.

A realidade não se revela senão iluminada por um raio poético.

Tudo é sono à nossa volta.

O pastor conduz seu rebanho mas ele não saberia conduzir um único touro.

O moralista aperfeiçoa o mal para exaltar o bem.

Sensação, revelação.

O perfil contra a silhueta, a evolução contra o progresso.


13 de outubro de 2009

Where?

Palestra

LOCAIS NARRATIVOS E LUGARES GEOGRÁFICOS:

conversa com as geografias de cinema

com Wenceslao Machado de Oliveira Junior (UNICAMP)

Dia 16 de outubro de 2009

às 18h30min

Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles


O Projeto Agenda Cultural 2009 do Museu Victor Meirelles promoverá, no dia 16 de outubro, às 18h30min, a palestra “Locais narrativos e lugares geográficos: conversa com as geografias de cinema” com Wenceslao Machado de Oliveira Junior (UNICAMP).

A partir de um curta-metragem e de pequenos trechos de outros filmes, será abordada a ideia de que todo filme constitui-se da contaminação entre os lugares geográficos e os locais narrativos, onde alusões e apropriações de memórias possibilitam a existência de geografias que só existem no cinema.

Sobre o ministrante:

Wenceslao Machado de Oliveira Junior é licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1987), Mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1999). Atualmente é professor no Departamento de Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte e pesquisador do Laboratório de Estudos Audiovisuais OLHO, ambos da Faculdade de Educação (UNICAMP). Tem experiência na área de Educação, com ênfase no estudo das imagens (educação visual da memória) e Ensino de Geografia, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, cinema, fotografia e ensino de geografia.

O quê: Palestra “Locais narrativos e lugares geográficos: conversa com as geografias de cinema”, com Wenceslao Machado de Oliveira Junior.

Onde: Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles.

Quando: 16 de outubro de 2009, 18h30min.

Quanto: Gratuita.

12 de outubro de 2009

Idolatria

Século XXI?

8 de outubro de 2009

José Maria Dias da Cruz

Oficina de formação:
Um Novo Olhar para as Cores com José Maria Dias da Cruz.
Dias 06, 13 e 27 de outubro, 03 e 10 de novembro de 2009.
Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles das 18h30 às 21h30.
A segunda edição das Oficinas de Formação no Museu Victor Meirelles será dedicada ao estudo da cor nas artes visuais.
A oficina “Um novo olhar para as cores” terá como objetivo desenvolver o pensamento plástico por meio do estudo das cores. O curso será ministrado pelo artista e professor José Maria Dias da Cruz e ocorrerá às terças-feiras do mês de outubro e novembro, no período noturno.

O programa da oficina pretende oferecer as bases para a análise de obras e exercícios práticos, propondo um novo olhar para as cores.
Em discussão, o conflito entre a percepção sensível e a linguagem. Serão abordadas as questões cromáticas desde Leonardo da Vinci, passando pelos venezianos e por Poussin, Fragonard, Boucher, Turner, Delacroix, Ingres, Manet, Monet, Van Gogh, Gauguin, Matisse, Braque, Kandinsky, Klee, Seurat e Hélio Oiticica. O destaque especial será para a obra de Paul Cézanne, enfatizando a importância do seu cromatismo para uma outra percepção das cores.
Sobre o ministrante: José Maria Dias da Cruz é professor e artista plástico. Estudou pintura com Jan Zach, Aldary Toledo, Thomás Santa Rosa e Flávio de Aquino. Recebeu uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores e Carte de Étudiant Patronné do Ministère de L'Education National e do governo francês.
Estudou em Paris na Academie de La Grande Chaumière e particularmente com Friedlander (gravura) e Emílio Petorutti (pintura). Lecionou pintura no Museu de Arte Moderna e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, ambos no Rio de Janeiro. Participou de diversas exposições coletivas e individuais, com destaque para o Salão de Verão JB-Light (MAM-RJ, 1974) e o Panorama de Arte Brasileira (MAM-SP, 1976 e 1979). Suas publicações são: "Cadernos de Aulas - Cor" (MAM-RJ, 1984), "Da Cor na Pintura - o Ponto de Passagem" (Edição do autor, 1989), “Gonçalo Ivo, o livro das árvores” (texto de apresentação, Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2000), entre outros.

Confira AQUI o blog do artista.

3 de outubro de 2009

Wlad Convida

Editora Anotações Com Arte e Jinga Bar
convidam para o lançamento de Adoniran Barbosa,
o livro-agenda criado por Fred Rossi,
com projeto gráfico de Paulo Hardt
e escrito por Wladimir Soares,
que celebra o centenário de nascimento
do autor de Trem Das Onze.

20 de setembro de 2009

L'Argent, O Dinheiro - Bresson


L’Argent, O Dinheiro, é o filme programado para esta quinta-feira, dia 24 de setembro, às 18h30min no Projeto Cinema Falado do Museu Victor Meirelles. Uma produção franco-suíça de 1983, do mestre Robert Bresson, considerado um dos maiores cineastas franceses do século XX.

O mediador convidado da noite é Lucian Chaussard, formado em Cinema pela UFSC, com experiência em projetos como o cineclube Rogério Sganzerla e a revista eletrônica de cinema Punctum.

Consagrado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 1983, L’Argent aborda a influência do dinheiro na vida das pessoas. Quando o pai de Norbert se recusa a lhe emprestar 500 francos, o rapaz, com a ajuda de um amigo, decide fazer uma nota falsa, pondo em marcha, por pura ganância, e sem medir as consequências dos seus atos, uma sequência de acontecimentos cujo desenlace será trágico. E é assim que Yvon, um homem inocente, vai se ver envolvido numa espiral que o conduzirá a uma queda vertiginosa, esvaziando-lhe a alma e destruindo-lhe os escrúpulos.

Implicado ingenuamente em um inquérito, acusado de passar notas falsas, ele é preso, e não tenta sequer se defender. Crime, culpa, ambição e castigo são discutidos brilhantemente por Robert Bresson. Uma obra-prima!

Escrito a partir de um conto intitulado "A Nota Falsa", de Tolstói, o grande escritor russo do século XIX, O Dinheiro é o último de 13 filmes assinados pelo diretor Robert Bresson. Aos 82 anos, o cineasta realiza esta obra-prima dotada de uma crueza absoluta, na sua denúncia do cinismo de uma sociedade regida pelo dinheiro e conduzida pelos falsos valores.

Além do prêmio especial do Júri, em Cannes , O Dinheiro ganhou ainda o prêmio de melhor direção e foi indicado à Palma de Ouro. Em 1985 ganhou o prêmio da associação dos críticos estadunidenses de melhor diretor.

Cinema Falado do Museu Victor Meirelles
Filme: O Dinheiro (L'Argent) - França/Suíça – 1983 – 84 minutos
Direção: Robert Bresson
Mediação de Lucian Chaussard
Dia 24 de setembro, às 18h30min

Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 – Centro – Florianópolis
Entrada:Gratuita

28 de agosto de 2009

Contemplando


Praia do Meio - Florianópolis



O fim da tarde, ontem, na Praia do Meio, era só contemplação.

21 de agosto de 2009

In Praesenti # 01


Técnica mista sobre tela (fotografia, silk, acrílicas, xilografia) - 120 x 70 cm.
Último trabalho e primeiro completo de uma nova série.

O Estrangeiro - Graecum est, non legitur.

20 de agosto de 2009

Dizem por aí.

Graecum est, non legitur.#2

19 de agosto de 2009

Guto Lacaz




Ontem o irreverente Guto Lacaz esteve no Museu Victor Meirelles abrindo exposição de serigrafias e mostrando um pouco de seus diversos trabalhos nas artes plásticas, gráficas, objetos e instalações.
É impossível não ser cativado pelo seu bom humor.
Conheça um pouco de seu trabalho AQUI
.

14 de agosto de 2009

Fotoverfoto

Interferência fotográfica sobre famosa fotografia de Thomas Hoepker do 11 de Setembro.
O interferente é Luís Felipe, meu filho.
Usina do Gasômetro - Porto Alegre - Julho 2009

11 de agosto de 2009

'Amigas de Colégio' no Cinema Falado


Um romance entre duas adolescentes, alunas do mesmo colégio, que descobrem a si mesmas, seus amores e suas escolhas, numa cidade que parece nada vai acontecer. A cidade é Amal, no interior da Suécia, e a sinopse é do Amigas de Colégio, filme programado para esta quinta-feira, dia 13 de agosto, dentro do projeto Cinema Falado do Museu Victor Meirelles.

A mediadora convidada é a professora Ramayana Lira. Graduada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, mestre em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina, e doutora com pesquisa em Cinema pela mesma instituição. Atualmente, é professora dos cursos de Cinema e Realização Audiovisual, Comunicação Social – Jornalismo e Publicidade – e Letras da Universidade do Sul de Santa Catarina. Tem experiência na área de Artes e Comunicação, com ênfase em Cinema, atuando principalmente nos temas teoria do cinema, violência, cinema experimental e teorias da Comunicação.

Produzido em 1998, Amigas de Colégio, do diretor sueco Lukas Moodysson, tem na sua estética algo que lembra o movimento Dogma, de 1995, pelo menos nas imagens iniciais. Mas logo em seguida nos mostra algumas características únicas e felizes deste romance. Primeiro, a temática homossexual. Depois a forma como este enredo é levado ao espectador: de maneira simples e tocante, desprovido de moralismo, sem julgamentos comportamentais e sem as conhecidas mensagens piegas de como fazer deste um mundo melhor.

Divertido e, melhor que isso, bem dirigido, o filme reflete com sutileza aspectos de uma situação de verdadeira confusão, típica da idade da adolescência, quando se aproxima o momento de definição da identidade sexual do indivíduo. Com todas as dificuldades de buscar não repetir velhos conceitos, Amigas de Colégio trata apenas de mostrar uma situação e, depois, como as duas pessoas envolvidas a resolvem. Não nos dá receita alguma de como fazer e nem nos pede para julgar se elas estavam erradas por agir de tal ou qual modo.

O filme é ao mesmo tempo delicado e profundo, por sua proposta de apresentar ao espectador, de forma natural, uma questão séria, que quase todo mundo se esquiva, quando pode. Outra característica desta produção é que se trata de um filme com baixo orçamento e, nos moldes do cinema independente, muito bem feito, que faz com que a gente possa perceber que a qualidade nem sempre está atrelada a orçamento, ou tampouco a indústria alguma, de qualquer país do mundo, dito potência cinematográfica.

A sessão de Amigas de Colégio começa às 18h30min, na Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles e logo após a exibição do filme a mediadora dirige uma conversa com a platéia. A entrada é gratuita.

5 de agosto de 2009

Gaturamo


Este lindo gaturamo-verdadeiro bateu no vidro do ateliê e caiu desacordado.
Estou colocando mais adesivos com imagens espalhados pelos vidros para evitar este tipo de acidente.
Felizmente se recuperou, bateu asas e voou...

2 de agosto de 2009

Serra Catarinense

Mês de Julho em São Joaquim e Urubici. Imagens do frio.

26 de julho de 2009

Serra do Rio do Rastro



Férias. Viagem a Porto Alegre e retorno pelo interior gaúcho e serra catarinense.
Um bom safari fotográfico com muito, muito frio.

15 de julho de 2009

Tertúlia Virtual - Livre (muito livre)

Pura descontração.

10 de julho de 2009

Estrela Solitária no Museu

O WESTERN REVISITADO

Há pessoas para quem a simples programação de um filme de Wim Wenders já é motivo para sair de casa, onde quer que seja. No caso de Estrela Solitária, que será exibido nesta quinta-feira, dia 16 de julho, dentro do projeto Cinema Falado do Museu Victor Meirelles, vários outros interesses podem falar alto, principalmente pelo elenco envolvido e a retomada de um tema batido, o caubói, mas que sempre surpreende quando relido sob a marca da modernidade.

Duas décadas após conquistarem a Palma de Ouro com Paris, Texas, Wim Wenders e Sam Shepard se reencontram neste excelente Estrela Solitária, título em português para Don`t Come Knocking. A crítica recebeu muito bem o novo trabalho da parceria, avaliando-o como um pequeno grande filme, onde os dois brilham lado a lado - Wenders na direção e Shepard como roteirista e protagonista.

A mediadora convidada para os debates após a exibição é a professora Karen Christine Rechia. Com graduação e mestrado em História pela USFC, Karen é membro da Associação Nacional de História e professora licenciada da Universidade do Sul de Santa Catarina. Doutoranda em Educação pela Unicamp, na área de concentração em Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte, participa do grupo de pesquisa OLHO - Laboratório de Estudos Audiovisuais. Atua também na área de Audiovisual, no campo da produção, roteiro e pesquisa.

Howard Spence (Sam Shepard) já teve dias melhores. Antes um protagonista dos filmes westerns, agora ele só consegue papéis secundários e leva uma vida autocentrada, afogado em álcool, drogas e jovens mulheres. Até que um dia sua mãe, a qual tinha ficado 30 anos sem encontrar, revela que ele tem um filho (ou filha) desconhecido na cidadezinha de Montana. Howard vê nisso uma razão para retornar ao local em que esteve a mais de 20 anos, para encontrar seu fruto. Na verdade o objetivo de Spence é mais se encontrar do que encontrar o filho. No seu caminho estarão um velho caso de amor, um jovem casal, uma estranha e desconhecida garota e até mesmo um "caçador de recompensas" enviado pelo estúdio de cinema que ele abandonou no meio de uma filmagem.

Estrela Solitária, em sua maior parte, evita o sentimentalismo e dispensa pouca preocupação em ser plausível. Se expressa com humor seco, imagens marcantes, iconografia de westerns e ocasionais explosões de emoção.

Sem maiores efeitos especiais, com sua forma um tanto lenta de narrar, Wenders, assim como no seu famoso Paris,Texas, mostra grandes tomadas de paisagens e estradas vazias, cuidando de fazer um filme diferente, parecido consigo mesmo, que com sua maravilhosa trilha sonora dá vontade de rever mesmo antes de acabarem os créditos.

O longa, que conta ainda com as presenças de Jessica Lange e Tim Roth, é uma feroz crítica ao estrelismo barato dos astros do cinema, mostrando o quão vazia pode ser a vida dessas pessoas, mesmo cercadas de fãs e admiradores.

Estrela Solitária foi selecionado para a mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio, em 2005. Ganhou o Prêmio de Melhor Filme Europeu, na categoria de Melhor Fotografia e recebeu sete indicações no Festival de Cannes, entre elas a de Melhor Filme. A sessão começa às 18h30min, na Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles, com entrada gratuita.

9 de julho de 2009

Chega de SPAM!!!

Gravuras do Acervo - Museu Victor Meirelles


Nesta quinta-feira, 16 de julho, às 18h, acontecerá o lançamento do catálogo de gravuras das obras que integram o acervo do Museu. Com a publicação, a instituição cumpre o objetivo de divulgar seu acervo junto a sociedade. As gravuras pertencem à Coleção XX e XXI que possui obras modernas e contemporâneas.

Na publicação, encontram-se as gravuras de Alex Gama, Amilcar de Castro, Ana Elisa Dias Baptista, Carlos Asp, César A. Rossi, Dudi Maia Rosa, Flávia Fernandes, Hélio Fervenza, Jandira Lorenz, Júlia Iguti, Lú Pires, Lurdi Blauth, Marcelo Grassmann, Marta Berger, Paulo Carapunarlo Roberto Burle Marx, Turi Simeti e Yara Guasque.
Os textos são assinados por Diego Rayck e Sandra Fávero, ambos professores de gravura do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (CEART-UDESC).
No dia da abertura os catálogos serão distribuidos gratuitamente.

O quê: Lançamento do catálogo Gravuras.

Onde: Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles.

Quando: 16 de julho, às 18h.

Quanto: Distribuição gratuita no dia do lançamento; após R$ 5,00 (unidade).

7 de julho de 2009



3 de julho de 2009

Aquarelas do Ige

Ige, meu irmão que passou um enorme susto e cirurgia no olho, nos mostra suas últimas aquarelas saudando a vista e a vida.